quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Saudades do olhar maroto

Voltando a Marrancos...quando a chuva cai intensamente, a bela aldeia radiosa torna-se triste porque a natureza escurece, as árvores vergam como peso da água e do vento. Apenas o lume de uma lareira consegue iluminar ligeiramente os rostos. Durante funeral do meu pai, em pleno Verão de 2003, Marrancos esteve triste, a natureza demonstrou o seu pesar através de chuva intensa e solidarizou-se com as pessoas que choravam o desaparecimento de alguém tão querido. Naquele dia a linda aldeia minhota não poderia estar radiante e alegre mas sim triste e chorando a morte de alguém que amava muito a sua terra. A passada 2ª feira fez-me reviver estes momentos e recordar mais intensamente o meu pai. Tenho saudades do seu olhar maroto e do seu sorriso trocista. Das suas longas reflexões e das seus argumentos que invariavelmente eram rebatidos por mim, conduzindo a trocas de ideias acaloradas e intensas mas sem vencedores oficiais. Não herdei os olhos azuis brilhantes e divertidos do meu pai...herdei o gosto pelas reflexões, pela argumentação, pela leitura e pela escrita. Herdei algum sentido de humor mas também o seu comodismo. Tenho saudades das nossas conversas, dos filmes que víamos juntos e sobre os quais existiam sempre comentários a fazer, tenho saudades do seu riso e de quando me fazia rir, quando brincava com a minha mãe...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Marrancos

Grandes expectativas tinha eu para os dias que iria passar em Marrancos. Já descrevi a bela aldeia minhota onde o meu pai nasceu, que me acolheu para férias e para viver. No ano passado sem grande vontade, confesso, fui para Marrancos e passei 5 dias de férias revigorantes e fantásticos. Este ano estava ansiosa por lá voltar, principalmente para voltar a viver os sentimentos de paz, descanso profundo e verdadeiro mas também de algum divertimento com os amigos. Foram elaborados grandes planos...comecei a contagem decrescente dos dias, tal como quando era criança! Mas este ano, Marrancos perdeu todo o seu encanto o que me entristeceu. Primeiro contratempo, parti 6ª feira cheia de febre, constipada e com dores de garganta e como é raro ficar de cama, penso que a última vez foi em Janeiro de 2000, não desanimei e comecei a ingerir medicamentos na busca de uma panaceia célere. Afinal tinha planos para a noite de 6ª feira, iria juntar alguns amigos em casa para matarmos saudades e celebrarmos a nossa saúde. Mas a febre teimava em não baixar e o convívio foi adiado...dada a impossibilidade de algumas pessoas para os dias seguintes, o convívio não se realizou. No sábado já me levantei ligeiramente melhor e saí. Fui ao cemitério visitar a campa do meu pai e "conversar" um pouco com ele e seguidamente fui até Braga. À noite estava de novo com temperatura elevada. Só 2ª feira é que me sentia com algumas forças embora ainda não totalmente recuperada. Nesse dia deu-se o segundo contratempo...o tempo. Choveu como se um dia de Inverno se tratasse. O vento acompanhou a chuva e arrefeceu de forma intensa. Não é possível passear na mata, dar uns passeios pela freguesia ou até ir ao café com um tempo tão desagradável. Por momentos cheguei a pensar que o Pai Natal estaria já a descer pela chaminé. O tempo e a febre perturbaram os meus dias de férias e entristeceram-me, não me proporcionando o alento que eu tanto ansiava. Uns raios de sol despontaram quando visitei as minhas grandes amigas Cristina e Palmira, conversei com a Carla Guimarães e com o Zé e noutros momentos mais fugazes com outros amigos.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Os dias de férias vão passando e eu nem tenho escrito no diário...que grande falha da minha parte. Tal como prognostiquei, estes dias têm sido essencialmente de repouso, de leituras e de alguma praia ( o vento não tem ajudado muito).
No sábado transacto, passei um excelente dia na casa da minha amiga Telma que conheci na Pós-Graduação. Foi um almoço animado que se prolongou pela tarde, e mais importante ainda, sem que desse pelas horas passarem. A Telma e a sua adorável família convidaram para o repasto, o grupo de trabalho da pós-graduação juntamente com os seus acompanhantes. Como já tenho referido, neste momento não partilho a minha vida com ninguém especial, o significa que me apresentei sozinha. Importa, igualmente, explicar o tipo de relações que se estabeleceram entre este grupo de trabalho, que teve início como tal e que teve uma progressão no sentido da entreajuda, da camaradagem e da amizade. Partilhámos momentos, divertidos, de ajuda, de apoio, de simples conversa. Foram, definitivamente, bons momentos, os que vivemos. Tal como aconteceu no sábado. Infelizmente, um dos elementos do Grupo das 5, a Irina, viu-se impossibilitada de comparecer por razões de saúde, o que foi um enorme desgosto para todas nós.
E assim vão passando os dias das minhas férias.
Sexta-feira parto para Marrancos, com certeza voltarei com mais temas para partilhar.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

De Férias

De Férias Finalmente… Chegou o primeiro dia de descanso…pausa no trabalho da escola, na pós-graduação e no projecto…Em Setembro irá regressar tudo à normalidade. Prioridades máximas de férias:
Primeira – Praia, muita praia! Férias de Verão para mim são sinónimo de praia. Segunda – Dormir e ler, que maravilha ter tempo e disposição para ler. Terceira - Fazer uma visita a Marrancos e rever alguns amigos e familiares… Não me vou alongar mais em relação ao rol das prioridades, tudo o que vier a mais será óptimo. No final do mês de Agosto regressa a angústia devido ao término do contrato de trabalho. E esperar pelos resultados do novo concurso de docentes contratados, e o tempo devolve-me novamente a incerteza quanto ao meu futuro…Aguardarei ansiosamente por saber o local, e a escola onde irei passar o próximo ano lectivo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

De regresso...

É bom estar de regresso, já sinto alguma falta do blogue, quando me ausento por algum tempo. Não do blogue propriamente dito, mas sim de poder escrever e organizar tudo o que me vai na mente e no coração. A minha vida sofreu algumas alterações com o choque que sofri durante o mês de Maio, felizmente e aparentemente já ultrapassado…Pelo menos assim o anseio. Carece, ainda, uma celebração condigna de vitória, que está marcada para dia 19 de Julho, e que será feita com um grupo de amigas. E entretanto a vida voltou à aparente normalidade…trabalho na escola…jantar simpático com os alunos do 12º ano que tiveram a amabilidade de oferecer a refeição aos professores…jantar de aniversário divertido da minha amiga Patrícia …as aulas na pós-graduação que na proximidade da pausa de férias se traduz numa acumulação de entrega de trabalhos...e ocasionalmente umas idas à praia no final da tarde. A cicatriz da excisão não permite grandes aventuras, porém possibilita o desfrutar de uma das minhas predilecções…a praia.. e no fim do dia a magia até se intensifica.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Chegou o Verão à minha vida

Chegou o Verão!!!!Já repararam?
À minha vida chegou mais cedo, no dia 17 de Junho. É verdade o resultado da biopsia confirmou que o tumor era maligno, mas está curado porque foi totalmente removido. Um grande VIVA! E o sol, o calor entraram de forma luminosa e inflamada na minha vida. VIVA!!!!
Não escrevi de imediato, e vontade não me faltava, porque o trabalho intensificou-se, vigilâncias de exames, avaliações finais, os estudos e trabalhos para apresentar...Os meus meninos do 9º ano sofreram as amarguras dos exames nacionais, eu estive a vigiar e sem poder ajudar, que tortura!
O 9ºC organizou um almoço fenomenal de despedida que adorei. O 7ºC ofereceu-me uma T-shirt autografada por todos os alunos da turma...O final do ano lectivo transporta-me sempre para grandes emoções...

terça-feira, 10 de junho de 2008

À procura da serenidade

Nestes últimos dias o desassossego e ansiedade têm crescido…Dia 11 já devo ter o resultado da citologia e se assim for no dia seguinte terei nova consulta para mais esclarecimentos…Vou tentar aguardar com serenidade…

Somewhere I belong

Graças à minha amiga Palmira e ao seu simpático marido a minha vida "desentorpeceu". Desde o diagnóstico do carcinoma que tento enfrentar a vida com um sorriso na face. Confesso que este objectivo nem sempre tem sido conseguido com pleno sucesso. O vocábulo carcinoma é demasiado assustador e obscuro tornando os pesadelos e as angústias bem mais resistentes que o sorriso. Apesar de não me encontrar deprimida, encontrei na rotina do trabalho docente e dos estudos o reconforto suficiente para um sorriso ténue. Uma carta da Palmira provocou um arrepio na espinha, uma agitação, um alvoroço na vida rotineira …O Carlos, marido da Palmira beneficiou da oferta de um bilhete para o Rock in Rio e decidiu oferecer-me. Tenho acompanhado este conjunto de espectáculos com mediano entusiasmo. Nunca lamentei não ir Rock in Rio. Dos artistas e bandas convidadas, apenas um me faria deslocar até ao Parque da Bela Vista, Linkin Park. Esta banda musical norte-americana é na actualidade a minha preferida. Por isso, aceitei o desafio e FUI. Todo o envolvimento da ida, deslocação, expectativa provocou entusiasmo na minha vida e um autêntico sorriso no meu rosto. E ainda bem… Foi uma noite inolvidável, sem sombras de carcinomatoses, de preocupações de trabalho ou de estudo. Senti que estava no local certo senti que era ali que pertencia (“Somewhere I Belong”) e porque simplesmente quebrei a rotina naquela noite (“Breaking the habit tonight”) Obrigada aos meus amigos por me terem proporcionado momentos tão notáveis.